Tuesday, November 28, 2006

Vai chamar pai a outro!

Ferraz fazia filhos todas as terças às onze, e aos sábados à tarde, se lhe pedissem com modos.
- Gostava de os fazer e fazia-os bem feitos – elogia uma vizinha que chegou a vendê-los na quermesse da paróquia nas festas de Verão.
- Tinham muita saída, sabe? E não eram caros – contam-nos na aldeia que terá mesmo ganho um concurso.
- Uma taça. Merecida! Não duvide que fazia os melhores filhos das redondezas! – diz um carteiro que chegou a fazê-los também, embora admita que não tão bem quanto Ferraz.
- Ele tinha uma técnica, não sei! Olhe, às tantas pedi para ele nos fazer um! Não foi, Amélia? – pergunta à sua jovem esposa, que confirma.
Ferraz, homem rude mas delicado na sua arte, segundo uma prima.
- Uma vez esteve sete horas a fazer um! A noite toda! Aquilo não estava lá como ele queria. Eu não lhe disse nada, quando estava naquilo ninguém o podia incomodar. Tenho três. Olhe que lindos! – exclama a prima enquanto mostra as fotos dos petizes.
Vizinhas, amigas, até forasteiras que passavam, ouvindo rumores sobre as técnicas de Ferraz.
- Chegou mesmo a fazer filhos para fora – diz-nos a mãe orgulhosa.
- Certa vez, uma senhora pediu-lhe um para levar para o estrangeiro! – acrescenta a progenitora em surdina. Embora não tenhamos conseguido confirmar a veracidade do feito. Nas palavras da avó, já o pai dele «gostava muito de os fazer.
- Adorava! – diz a septuagenária, recordando com um brilho nos olhos o dia em que ele lhe fez um como prenda de Natal.
- Foi a uma terça-feira. Estávamos ali na sala e eu disse-lhe: «Ó filho, sabes o que é que podias fazer à avó? Ias ali buscar um copo de água e já agora fazias-me um filho, que é Natal e assim nem tinhas de me comprar uma prenda!»
O avô confirma porque esteve presente, e enumera os conselhos vários que deu ao jovem Ferraz.
- Teria muito futuro se tem saído daqui. Eu bem lhe disse «Vai, filho! Vai! Se gostas tanto porque é que não vais fazer filhos daqui p´ra fora! Lá na cidade há cursos para isso e tu tens jeito!»
Ferraz nunca foi. Continuou a fazê-los. Bem feitos como sempre, até ao dia em que parou.
Uns dizem que se fartou. Outros dizem que terá perdido o jeito.
Ferraz nunca falou disso. Diz-se que as suas últimas palavras sobre o assunto terão sido:
- Vai chamar pai a outro!


- Nilton, O Pai Natal não existe

Wednesday, November 08, 2006

Ele disse, Ela disse...

Se visitam este site e/ou me conhecem já devem ter reparado que gosto muito de citações e referências, pois bem, agora podem ter acesso à minha selecção de citações e referências aqui, não é fantástico, maravilhoso, soberbo?!? não? Ok... lolol

Bem resta-me dizer que apenas sou participante neste site, já que a moderação do site e grande parte dos posts são do Dehumanizer.

Participem! ;)

Sunday, November 05, 2006

A Lenda de um Justiceiro...

Acabei há dias de ler o livro "A Lenda de Zorro" da Isabel Allende e adorei!

O Zorro sempre foi um dos meus heróis preferidos: o figurino, a elegância do espadachim, dá um toque mais sublime à luta em si! :)

Se pudesse, era o Zorro! A ideia de me imaginar a assobiar pelo Tornado, a ser capaz de golpear com precisão com o chicote, desenhar o Z com uma rapidez demoníaca nos tais sacanas, só porque sim, e ter um ar trocista no meio de tudo aquilo pelo simples facto de estar num outro patamar, sempre me fascinou!

Li isto numa crítica e pareceu-me perfeito... como não tenho muito tempo para reescrever, aqui vai!

Uma fantástica aventura que revela, pela primeira vez, como Diego de la Vega se tornou no famoso herói mascarado…

Nascido no sul da Califórnia no século XVIII, Diego de la Vega é um rapaz preso entre dois mundos. O pai, um militar aristocrata espanhol, é um importante latifundiário. A mãe, por outro lado, é uma guerreira da tribo indígena Shoshone. Da avó materna, Coruja Branca, aprende os costumes da sua gente, enquanto que do pai aprende a arte da esgrima e como marcar o gado. Durante a infância, cheia de traquinices e aventuras, Diego é testemunha das brutais injustiças que os indígenas norte-americanos enfrentam pela parte dos colonos europeus, e sente pela primeira vez um conflito interior em relação à sua herança.

Aos 16 anos, Diego é enviado a Barcelona para receber uma educação europeia. Num país oprimido pela corrupção do domínio Napoleónico, o jovem decide seguir o exemplo do seu célebre professor de esgrima, e adere "À Justiça", um movimento clandestino de resistência, que se dedica a ajudar os pobres e indefesos. Imerso num mundo de um ambiente de revolta e desordem, enfrenta pela primeira vez um grande rival que vem de um mundo de privilégio.

Entre a Califórnia e Barcelona, o novo mundo e o velho continente, forma-se a personagem do Zorro, nasce um grande herói e começa a lenda. Depois de muitas aventuras - duelos ao amanhecer, violentas batalhas marítimas com piratas e resgates impossíveis - Diego de la Vega, conhecido também como Zorro, regressa à América para reclamar a propriedade onde cresceu, em busca de justiça para todos aqueles que não podem lutar por si próprios.
Quando Diego de la Vega nasce, começa por ter duas educações diferentes (do pai e da mãe). Enquanto a mãe lhe ensina costumes índios, o pai ensina-lhe como ser um senhor e a manobrar a espada.

Sempre na companhia do fiel amigo Bernardo, Diego viaja até Barcelona para receber melhor educação e é lá que se tornam homens.
Diego aperfeiçoa-se na arte de manejar a espada e decide dedicar-se à salvação dos injustiçados, por assim dizer. E nasce assim a personagem que se veste de preto e deixa misteriosos z's à sua passagem: Zorro.
A tudo isto resta-me acrescentar uma revelação que me surpreendeu pela positiva, não existe um mas Três! Zorro! ...e... um deles é uma mulher :) uma das personagens que mais me cativou na história, além do próprio Diego, claro. Mas não vou aqui revelar quem é, leiam o livro ;)

Só por curiosidade, o meu meu filho chama-se Diogo e seria Diego... mas estamos em Portugal :) e sim, é pelo meu fascínio por este personagem. Espero que ele não tenha que enfrentar tanta amargura e hostilidade, mas que tenha na vida a destreza, coragem e honestidade do Zorro.