A maior parte das pessoas pensa que as coisas más ou desagradáveis só acontecem aos outros. Ninguém supõe ou sequer imagina que de um dia para o outro pode ser a sua vez... para morrer basta estar vivo, certo?
A Guerra, os atentados, a violência, um acidente... tudo isso nos pode calhar um dia. Não digo que passemos o tempo obcecados com isso, mas não pensemos que "a mim isso nunca me vai acontecer" e não sejamos Susaninhas, que fazem festas com Lagosta e Caviar para angariar fundos para comprar pão e sopa e essas coisas que os pobres gostam...
Quando engravidei, uma das minhas principais preocupações era que o meu filho fosse "perfeito" e "saudável", quando me perguntavam "queres menino ou menina?", eu sempre respondi a verdade, é-me indiferente, desde que "venha bem". Por vezes, para brincar um pouco, embora algumas pessoas ficassem chocadas, respondia: "Para quê preferir um dos sexos se eles depois mudam?". As pessoas não acreditavam... não pode ser, tens que ter alguma preferência! Não, não tinha nem tenho. Adoro o meu homenzinho, mas se fosse menina ter-me-ia adaptado da mesma maneira.
Agora o que realmente queria falar aqui, da prevenção, porque "pode acontecer-te a ti".
Além de todos os cuidados que tive durante a gravidez, desde aguentar uma mini-cirurgia sem anestesia e sem analgésicos à excepção do Ben-Uron... e de ter tido duas crises asmáticas com antibióticos de baixo-espectro... resolvi fazer o "seguro de vida" do meu filho. Como? Recolhendo as células estaminais que se encontram no sangue do cordão umbilical no momento do parto.
Basicamente as células estaminais são indiferenciadas e podem ser utilizadas para um já largo espectro de doenças, tais como a Leucemia, e com a evolução da ciência terão muitas mais aplicabilidades.
Podem ser usadas tanto num contexto heterólogo, como autólogo (menos frequente), e em crianças, estes transplantes têm obtido taxas de sucesso semelhantes aos transplantes com células estaminais adultas da medula óssea.
Quando eu tive o meu bebé só havia uma empresa em Portugal que fazia isto, e estavam a começar, a Crioestaminal. Desde então não têm parado e continuam a apostar forte na investigação.
Eu acho que não acontece só aos outros...
Deixo aqui o meu agradecimento ao meu pai, que ofereceu a criopreservação das células estaminais do meu bebé: Obrigada pai :)
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2 comments:
É uma atitude bonita, a de uma mae, que, preocupada com o seu rebento, forneça todas as condições necessárias para precaver situações negativas futuras. Até aqui, nada que dizer, a não ser que é uma atitude muito bonita.
No entanto, acho lamentável que estes negócios proliferem como outro qualquer. É que, afinal de contas são negócios , e bem lucrativos, em volta do nosso bem estar, que exploram feroz e atrozmente os nossos medos e preocupações. Perdoem-me a minha visão, que pode que peque por ser utópica, mas creio que as coisas não deveriam ser disponibilizadas desta maneira, ou seja, temos dinheiro? haja saúde!!! não temos? bom, desenrásca-te por aí, e não chateies muito ....
Com efeito é uma empresa privada e como tal os serviços são pagos, mas o valor a pagar pela criopreservação das células estaminais por 20 anos é de 1200 €, um valor que apenas paga os custos...
Mas compreendo a tua preocupação e concordo inteiramente que o acesso ao serviço é restringido pelo facto de ser pago.
Como já adiantei no post, as células estaminais do sangue do cordão umbilical apresentam inúmeras aplicações terapêuticas, principalmente ao nível das doenças hemato-oncológicas, sendo actualmente consideradas uma alternativa às células estaminais da medula óssea.
Mas no entanto existem organismos parahospitalares, criados sobre a tutela da Secretaria de Estado da Saúde, tais como os Centros de Histocompatibilidade, que aceitam de bom grado o registo de dadores...
Eu sou dadora no Centro de Histocompatibilidade do Sul tu também podes ser :)
Estes organismos são públicos e partilham o Banco de dados a nível mundial, o difícil é encontrar um dador compatível e em tempo útil quando precisamos dele...
Há de facto muitas discussões sobre o que será melhor, o serviço público, com a criação de bancos públicos, ou o privado. Há sempre vantagens e desvantagens. Num banco público temos que esperar para que existam células compatíveis. Por outro lado, se tivermos as células num banco privado sabemos que são nossas ou de familiares directos aumentando a possibilidade de serem bem recebidas pelo organismo.
É sempre bom haver a possibilidade de escolha, e estes organismos privados sempre vão fomentando a investigação.
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